Netanyahu diz à TV americana que Israel não previa crise em Ormuz

  • 11/05/2026
(Foto: Reprodução)
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no Cemitério Militar do Monte Herzl, em Jerusalém, Ilia YEFIMOVICH / POOL / AFP O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse em entrevista à emissora americana CBS que Israel não previa a dimensão da crise envolvendo o Estreito de Ormuz no início da guerra contra o Irã. Segundo ele, o impacto estratégico da região “foi entendido à medida que os combates prosseguiam”. A declaração foi dada ao programa “60 Minutes” neste domingo (10), na primeira entrevista de Netanyahu à televisão americana desde o início do conflito, agora em sua 11ª semana. O premiê afirmou ainda que a guerra “não acabou” e indicou que Israel considera necessárias novas ações contra o programa nuclear iraniano, instalações de enriquecimento de urânio e grupos aliados de Teerã na região. Questionado sobre uma reportagem do The New York Times que reportou que integrantes do governo israelense acreditavam que o Irã estaria enfraquecido demais para bloquear o Estreito de Ormuz, Netanyahu respondeu que “o problema de Ormuz foi compreendido durante a guerra”. “Existe um grande risco para o Irã fazer isso. Levou um tempo para eles entenderem a dimensão desse risco, o que eles entendem agora”, afirmou. Em seguida, reconheceu as limitações das análises feitas antes do conflito. “Não afirmo ter previsão perfeita, e ninguém tinha previsão perfeita. Nem os iranianos.” Vídeos em alta no g1 O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A escalada militar envolvendo o Irã provocou temor nos mercados internacionais sobre um possível bloqueio da passagem, elevando tensões no Golfo e pressionando os preços globais da energia. Durante a entrevista, Netanyahu afirmou que Israel e os Estados Unidos ainda avaliam como neutralizar o programa nuclear iraniano. Segundo ele, o Irã continua mantendo urânio enriquecido, instalações nucleares e capacidade de produção de mísseis balísticos. “Ainda há material nuclear que precisa ser retirado do Irã. Ainda existem instalações de enriquecimento que precisam ser desmanteladas”, disse. Questionado sobre como o urânio altamente enriquecido poderia ser removido do território iraniano, o premiê respondeu: “Você entra e tira”. Ele evitou detalhar se uma eventual operação envolveria forças especiais israelenses ou americanas, mas afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou disposição para agir. “Trump me disse: ‘Eu quero entrar lá’. Acho que isso pode ser feito fisicamente”, afirmou Netanyahu, sem explicar em que contexto a conversa ocorreu. O premiê também indicou que o conflito pode continuar em outras frentes mesmo se houver um acordo entre Washington e Teerã. Segundo ele, Israel pretende seguir combatendo o Hezbollah no Líbano. Netanyahu afirmou que o Irã tenta vincular qualquer cessar-fogo no Golfo ao fim das operações israelenses contra o Hezbollah. Ele acrescentou que acredita que um eventual enfraquecimento ou até a queda do regime iraniano poderia provocar o colapso da rede de aliados de Teerã na região, incluindo Hezbollah, Hamas e Houthis. A entrevista também abordou a relação entre Israel e países árabes. Netanyahu afirmou que alguns governos da região passaram a demonstrar maior interesse em aprofundar alianças estratégicas com Israel após o conflito. “Vejo uma expansão e aprofundamento dos acordos com Estados árabes de um tipo que nunca imaginávamos”, declarou. Segundo ele, as conversas envolvem áreas como energia, inteligência artificial e tecnologia. O premiê ainda acusou a China de fornecer componentes utilizados na fabricação de mísseis iranianos, mas não apresentou provas nem detalhou quais equipamentos teriam sido enviados. Apoio financeiros americano Outro ponto que chamou atenção foi a defesa feita por Netanyahu de uma redução gradual da ajuda financeira dos Estados Unidos a Israel. Atualmente, Washington envia cerca de US$ 3,8 bilhões anuais em assistência militar ao país. “Quero reduzir a zero o apoio financeiro americano”, afirmou. Segundo ele, o processo poderia ocorrer ao longo da próxima década. Netanyahu também comentou o desgaste internacional enfrentado por Israel desde o início da guerra, especialmente após a ofensiva em Gaza. Ele atribuiu a deterioração da imagem do país principalmente ao impacto das redes sociais. Segundo pesquisa do Pew Research Center mencionada na entrevista, 60% dos adultos americanos têm atualmente uma visão desfavorável de Israel , aumento de quase 20 pontos percentuais em quatro anos. O primeiro-ministro afirmou que Israel “não foi bem” na “guerra de propaganda” e acusou países de manipularem plataformas digitais para prejudicar a imagem israelense. Apesar das operações militares em Gaza, Netanyahu reconheceu que Israel ainda não atingiu um de seus principais objetivos estratégicos: desarmar o Hamas.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/11/netanyahu-diz-a-tv-americana-que-israel-nao-previa-crise-em-ormuz.ghtml


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